20.6.26

OS ESPÍRITOS PRECISAM SE ALIMENTAR? FAZER SEXO? DEFECAR?

Não há órgãos no Perispírito, como se entende no corpo físico. 

São outras leis que regem o mundo espiritual. Após o fenômeno da desencarnação o que sobrevive é o Corpo Astral.

Se o Espírito é materializado em excesso, se identificou completamente com o corpo animal, desconsiderando sua realidade espiritual, sua condição na erraticidade é complicada. 

Muitos quando desencarnam ainda acreditam que estão "vivos", pois para estes a vida espiritual não existe.  

Muitos irmãos ficam até mesmo agarrados no corpo, revoltando-se com a morte prematura no auge da beleza, e de sonhos da juventude rompidos repentinamente. 

E o apego é tanto, pela carcaça, que sentem todo o processo de decomposição com os vermes comendo sua carne, e sentem o cheiro da podridão da carne em putrefação.

Isso vale pra tudo, não só comida: Sexo, álcool, poder, fama, beleza, dinheiro, drogas e toda sorte de paixões inferiores da podridão da carne.

Isso ocorre pela total falta do cultivo de ideias nobres, de valores e virtudes do Espírito que não morrem com o corpo, mas são imorredouros.

Esses irmãos não se espiritualizaram em sua passagem pela matéria, não cultivaram nenhuma virtude moral, alguns acreditando realmente que a morte é vazio, o nada. 

No entanto, a vida continua! O corpo é ilusão!


Na Revista espírita de 1.860 a questão sobre alimentação dos Espíritos, temos o caso de “Baltazar, o gastrônomo”.

Kardec evocou um Espírito, o Baltazar, que fora na Terra muito preso à alimentação, era um glutão, alguém que gostava demais de comer, gostava da mesa farta. 

Baltazar tinha esse intenso desejo; que o mantinha prisioneiro. E Kardec o evocou para conversar.

Quando 
Baltazar se manifestou, a sua primeira pergunta foi: “Cadê a mesa farta?” Não a encontrando, se decepcionou.

A seguir, Kardec foi obtendo informações que iriam esclarecer a questão da alimentação de Espíritos desencarnados. 

(...) Perguntou se ele tinha de fato necessidade de alimentar-se. Baltazar responde que não tinha necessidade de se alimentar, mas tinha o desejo de alimentar-se. 

Aí estava a causa de seu grande sofrimento: manter o desejo de alimentar-se, fruto dos excessos que cultivou quando vivera na Terra, e que no mundo espiritual não podia ser realizado.

👉Obs.: Na erraticidade os desejos são potencializados pelos menos 100x. Você colhe aquilo que plantou! 

Baltazar é um forte candidato a ser tornar um vampirizador. Os famosos encostos, espíritos com desejos inferiores intensos, que se aproximam de encarnados para sugar a energia etérica.  

Ele tinha o desejo de alimentar-se porque conservava uma paixão exagerada, desequilibrada, que tivera quando encarnado; mas esse desejo não podia ser realizado, então sofria.

O Espírito pode se apresentar com olhos, nariz, ouvidos, mas ele não enxerga pelos olhos, não sente o dor pelo nariz, e não ouve pelos ouvidos. 

Kardec fala sobre isso: “… é que o cérebro guardou da dor a impressão. Lícito, portanto, será admitir-se que coisa análoga ocorra nos sofrimentos do Espírito após a morte”.
Questão 257 de "O Livro dos Espíritos"

Nesse contexto, a mente desempenha o papel principal: tudo é mental, portanto permanecemos com os condicionamentos desenvolvidos na vida e, durante um bom tempo, podemos conservar a necessidade de alimentação após a morte. 

Não é a mente humana (o cérebro), mas a mente do Espírito.

Novamente Kardec: “Vimos que seu sofrer (do Espírito) resulta dos laços que ainda o prendem à matéria; que quanto mais livre estiver da influência desta, ou, por outra, quanto mais desmaterializado se achar, menos dolorosas sensações experimentará.


Nos Hospitais do Astral e nas Colônias Espirituais, "alimentos" são fornecidos aos enfermos a fim de se revigorarem. 

Nos 'centros de reeducação' para onde são conduzidos os Espíritos recém-chegados do Umbral por exemplo, faz parte do tratamento a ingestão de alimentos semelhantes aos terrenos, porém menos densos, e jamais alimentação carnívora.

O Espírito André Luiz declara na obra "Nosso Lar" que, recém-chegado à erraticidade, recebeu igual tratamento: “A essa altura, serviram-me caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos. 

Aquela reduzida porção de líquido reanimava-me inesperadamente. Não saberia dizer que espécie de sopa era aquela; se alimentação sedativa, se remédio salutar. 

Entretanto, segundo colocações de André Luiz, não só os convalescentes têm necessidade de alimentos. Os trabalhadores das Colônias recebem, regularmente, a sua cota de provisões.”

Lembrando que a Colônia Nosso Lar é muito próxima ao Umbral, ou seja, próxima da crosta. Obviamente em esferas mais sutis a alimentação é toda de prana.

Então, aos poucos o Espírito vai deixando de se alimentar, à medida que vai aprendendo a conseguir energia de outras fontes. O Espírito passa a absorver energia do próprio universo e, assim, ele não precisa nem dormir.

A comida no mundo espiritual, obviamente, é diferente. Não é material e serve principalmente para tratamento de espíritos enfermos.

Livros como "Nosso Lar" e outras obras já falaram sobre essas situações; em ambos, é sempre relatado um caldo, onde cada um sentia o sabor que mais lhe agradava.

Mas o alimento que sempre está presente é a água. A água é o melhor condutor de energias.


Se Alimentando de Cadáveres

Na obra "O consolador", perguntou-se ao Espírito Emmanuel:

É um erro alimentar-se o homem com a carne dos irracionais?

E ele redarguiu: A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. 

É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.

Temos de considerar, porém, a máquina econômica do interesse e da harmonia coletiva, na qual tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. 

Suas peças não podem ser destruídas de um dia para o outro, sem perigos graves. 

Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento de tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores. 


Em outra obra, do mesmo autor espiritual, ele descreve a condição ontológica do terráqueo como um ser que ainda 
se reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores, como nas eras pré-históricas de sua existência, marcham uns contra os outros ao som de hinos guerreiros, desconhecendo os mais comezinhos princípios da fraternidade e pouco realizando em favor da extinção do egoísmo, da vaidade, do seu infeliz orgulho.

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